"A tensão aumentou na aldeia de Paulinho Paiakan, no Pará. A Fundação Nacional do Índio (Funai) divulgou que até agora não recebeu um comunicado oficial da Justiça sobre a ordem de prisão do cacique.

"Ele foi condenado, em última instância, pelo estupro de uma estudante há dez anos.

"De acordo com informações, os índios não devem entregar o líder. Há o temor de um confronto entre a Polícia Federal e a nação caiapó." (Terra)

Pois é... Leio essas coisas e fico pensando... Será que não somos culpados por dois crimes, neste caso?

Primeiro crime: aculturarmos nossos índios. Foram séculos tentando impingir-lhes nossos costumes e nossa moral. Agora, quando eles aderem ao que foi ensinado, tentamos impor nossas leis, com um rigor que eles desconhecem, quando se trata de aplicá-las àqueles que as infringem, atacando índios.

Segundo crime: permitirmos que os aculturados abusem da situação legal imposta a eles, de tutelados. Até que ponto estamos agindo certo, ao declará-los incapazes? Até que ponto agimos certo ao acostumá-los à impunidade?

Sei lá...

Como a gente pode querer que eles respeitem uma lei que, no caso deles, não serve para defendê-los? Ou será que alguém já se esqueceu da impunidade no caso Galdino?

Não que Paulinho Paiakan não deva responder por seu crime. Mas existem muitos outros crimes, cometidos contra os índios, que precisam ser igualmente punidos - com a mesma severidade.

Agora, é esperar para ver onde tudo isso vai terminar...