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Depois dizem que para tudo existe uma saída!... Bah!
Enquanto o povo se explode, tentando recuperar o dinheiro perdido e garantir comida, veja o que faz o presidente argentino:
"ARIEL PALACIOS (Correspondente) - BUENOS AIRES - Um decreto assinado pelo presidente Eduardo Duhalde deixou a população argentina ainda mais indignada. Sob a justificativa de 'necessidade e urgência', Duhalde aprovou um aumento de salário para si mesmo e para os ministros, de 2.550 pesos para 3.000 pesos. E argumentou estar agindo dentro da lei, que estabelece teto de 3.000 pesos para o funcionalismo público.
"Nas últimas semanas, diversos ministros reclamavam aumento dos salários. Consideravam que US$ 2.550 'é o salário de um técnico qualquer do governo'.
"Na verdade, menos de 5% dos cidadãos empregados na Argentina ganham 3.000 pesos, valor que corresponde ao salário de um gerente de empresa de médio porte, segundo o diretor da consultoria Equis, Artenio López. Um operário ganha 300 pesos por mês; uma secretária, 500 pesos; e um jornalista, 1.300 pesos.
"O aumento do salário presidencial foi como uma bomba no país, que passa por um período de desemprego recorde (22% da população economicamente ativa - 30% na área da Grande Buenos Aires - está sem trabalho) e que executa um ajuste fiscal sem precedentes. No meio da semana, o vice-ministro da Economia, Jorge Todesca, admitiu que 47% da população argentina poderia ser considerada 'pobre ou indigente', proporção sem paralelos em mais de um século.
"A observação de Todesca repercutiu mal na Igreja católica argentina, cujo primaz, cardeal Jorge Bergoglio, lembrou que os refeitórios da Cáritas alimentam mais de um milhão de pessoas, desde meados da década passada. 'Estamos cansados de sistemas econômicos que produzem pobres que, depois, a Igreja precisa manter', desabafou.
"Funcionalismo - Para complicar ainda mais a situação, o secretário de Fazenda, Oscar Lamberto, anunciou que os salários do funcionalismo público serão pagos de acordo com o volume de arrecadação de impostos, porque não há outra fonte de recursos para o governo. Lamberto lembrou que a pioridade de pagamentos, por decisão do presidente Duhalde, é dos programas alimentares, seguido do auxílio-desemprego, aposentados e pensionistas e funcionalismo, nesta ordem. Explicou, ainda, que os salários serão pagos de acordo com o cronograma de arrecadação de impostos.
"A medida já havia sido divulgada durante o dia de ontem e provocou reações indignadas da população. O próprio presidente colocou mais lenha na fogueira ao afirmar que a situação financeira do governo 'é grave' e que 'não será possível pagar salários integrais aos funcionários'. E concluiu: 'Não há dinheiro'.
Lamberto minimizou a decisão de Duhalde, de aumentar o próprio salário: 'Falemos seriamente: 500 pesos não resolvem o problema de caixa, não alteram nada'.
"O secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT) oficial, Rodolfo Daer, alertou que pode haver 'uma grande explosão social' na administração e afirmou que a central sindical será contra qualquer possibilidade de os salários não serem pagos integralmente. (colaborou Marina Guimarães/AE)" (Agência Estado)
Conhece o ditado que diz "casa de ferreiro, espeto de pau"?
Pois é... Esse tango argentino interminável bem que podia ter isso na letra... Falta dinheiro, aumenta meu salário!!!
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