Certas parecem acontecer só para tirar o sono da gente...

Você já reparou que, a cada dia, a questão do Oriente Médio está mais presente na vida da gente? Tudo o que acontece por lá, tem reflexos aqui... Agora, então, com a história do Afeganistão, a coisa parece ter peso de chumbo... Ou melhor: peso de balas... De bombas!

E o que será que pode acontecer, a partir do momento em que um dirigente praticamente assume que é terrorista?

Sabe por que pergunto isto? Porque, afinal de contas, Yasser Arafat foi um líder terrorista, que se transformou em agente político e hoje é um governante... Uma trajetória e tanto... Mas o que será que pode acontecer, quando ele assume que contrabandeou armas ou, pelo menos, assume que é o responsável por esse contrabando?

Ah... Você não se lembra desse episódio... Então veja só:

"Os Estados Unidos disseram que o líder palestino Yasser Arafat aceitou a responsabilidade por uma tentativa de contrabandear armas no navio Karine-A, interceptado por Israel no mês passado.

"O líder palestino fez seus comentários em uma carta enviada ao secretário de Estado americano, Colin Powell. 'Arafat me mandou uma carta há três dias responsabilizando-se pelo caso Karine-A - não uma responsabilidade pessoal, mas de chefe da Autoridade Palestina', disse Powell a uma comissão do Congresso americano. O secretário de Estado afirmou que Arafat também prometeu não comprar armas no futuro.

"Provas - Arafat havia negado ligação com o contrabando. Os Estados Unidos haviam pedido uma explicação a Arafat, dizendo que tinham provas do envolvimento de palestinos na tentativa de contrabando.

"O Departamento de Estado disse estar satisfeito com o comunicado do líder palestino, mas quer que 'suas palavras sejam transformadas em atitudes'.

"Em 3 de janeiro, o Karine-A foi parado por militares israelenses a 500 km da costa de Israel. O país afirmou que o navio estava carregando 50 toneladas de armas fabricadas no Irã, entre elas vários mísseis Katyusha, munições e explosivos.

"O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, chamou o cargueiro de 'navio do terror' e disse que, caso as armas chegassem ao seu destino, 'teriam mudado o equilíbrio estratégico' entre seu país e os palestinos. A Autoridade Palestina iniciou uma investigação do caso e prendeu vários oficiais.

"O caso fez o presidente George W. Bush considerar a hipótese de cortar relações com Arafat, mas o envio da carta deve impedir que isso aconteça. Segundo o correspondente da BBC no Departamento de Estado americano, Jon Leyne, isso certamente vai frustrar Israel e membros do governo americano que são contrários aos palestinos.

"Leyne afirmou que o texto da carta de Arafat pareceu ter sido produzido com muito cuidado, deixando sem resposta a dúvida sobre quem realmente estaria por trás do contrabando.

"A carta de Arafat coincidiu com uma série de incursões que Israel fez em áreas palestinas da Faixa de Gaza desde terça-feira, como retaliação a mísseis lançados por militantes palestinos no domingo. Na quarta-feira, cinco policiais palestinos morreram em confrontos com tropas israelenses que invadiram Beit Lahiya, Beit Hanoun e Deir al-Balah.

"As forças israelenses só se retiraram depois de prender vários militantes palestinos. Mas fontes do governo palestino afirmaram que os tanques israelenses depois voltaram a disparar em Deir al-Balah. O grupo militante palestino Hamas assumiu que enviou dois mísseis Qassam-2 em direção a Israel.

"O ministro israelense Ephraim Sneh afirmou que os soldados vão permanecer nas áreas controladas por palestinos até que sejam encontrados todas as fábricas de mísseis. 'Esta é uma ameaça que não vamos tolerar', disse Sneh." (BBC)

Acho que você - como eu - já sabe onde isso vai terminar...