Ei! Diga-me uma coisa... Você acha que o celibato é mesmo essencial para quem quer seguir os chamados "caminhos de Deus", dedicando-se ao sacerdócio?

Pense bem... Reflita... Será que deixar de casar-se, de fazer sexo com a pessoa amada, é mesmo fundamental para a proximidade com Deus (qualquer que seja ele, qualquer que seja a fé da pessoa)?

Confesso que essa questão sempre me incomodou. Ficava matutando, enquanto via os padres nos altares das igrejas, celebrando missas, recitando rezas, fazendo sermões... Ou quando, enclausurados naqueles pesados cubículos de madeira, punham-se a ouvir, pacientemente, os pecados alheios e, compenetrados, concediam o perdão ou ditavam penitências...

E ficava pensando em como seria a vida de homens e mulheres dedicados à fé, muitas vezes alienando-se do mundo, para viverem em "estado de graça"...

Ficava pensando em como teria sido a vida dos santos - apesar de todas as biografias divulgadas e referendadas pela Igreja Católica Apostólica Romana...

Imaginava como seria o mundo na época de cada um deles... Tentava "ver" o circo romando, as feras, o sadismo imperial, o sacrifício, a glorificação da fé pela morte... Ficava pensando na Inquisição, que de santa nada teve... Nos julgamentos, nas torturas, nos fogueiras... E ficava tentando comparar com a guerra santa que agora existe, com os xiitas muçulmanos explodindo, matando em nome da fé...

E, agora, dia desses, encontro essa notícia aqui, na Agência Estado:

"O sacerdote católico Dennis Brennan, por anos pároco da igreja de Santa Margarida, em Cortona, nos EUA, decidiu mudar de sexo, para a comoção da diocese de Albany, à qual pertencia. ‘Já trocou de nome e agora se chama Denise’, informou o jornal The New York Post, acrescentando que o caso do padre Brennan é o primeiro na história da igreja católica norte-americana.

"Sempre considerado um conservador pelos fiéis, o próprio religioso informou sua decisão por meio de uma carta aberta, na qual anunciou o início de uma ‘viagem pessoal’. Brennan afirmou também que, depois de padecer os tormentos da ambivalência sexual durante toda a vida, começou a viver com coerência seu ‘estado interior de mulher’ 24 horas por dia, ‘um tempo de transição necessário antes da cirurgia de troca de sexo’."

Pois é... As coisas acontecem sempre de modo a nos fazer enxergar que nada que contrarie a índole humana pode dar muito certo. Aliás: pode até dar. Por um certo tempo... No fim, alguma coisa sempre acontece para o que estava estabelecido...

Brennan é um bom exemplo de como a fé pode ser alicerce para tempos melhores. Desde que não haja fanatismo. A coragem desse padre vai dar o que falar... Pode escrever o que estou dizendo!!! A Igreja Católica não será a mesma a partir do caso Brennan...

Quem sabe se, a partir daí, certos dogmas possam ser revistos e não apenas pela Igreja Católica. Há muitas religiões intransigentes, que mergulham no fanatismo por algo que, à mim, parece mais pura teimosia...

Impedir que um sacerdote tenha vida própria, é impedir a própria vida de acontecer.

E que deus é esse que mais parece apenas punir que ungir e ajudar a crescer?????

Que me desculpe os mais fervorosos fiéis, mas, para mim, a vida foi feita para ser vivida. E a fé é um dos caminhos mais belos que ela contém. Então, por que o Homem tem de impor esses limites absurdos?????

Sei lá... São apenas divagações... Apenas divagações...