Paula deixou as quadras...

Magic Paula não joga mais basquete - ao menos em público. Sua arte, agora, fica restrita aos amigos. O mundo? Que ele viva de lembranças!!

Lembranças que, felizmente, o vídeo-tape há de perpetuar.

São momentos inesquecíveis, mágicos mesmo.

Quem, como eu, teve o privilégio de acompanhar seus mais de 20 anos de carreira, tem motivos de sobra para chorar um adeus que era mais que anunciado. Todos sabiam que esse dia chegaria, de uma forma ou de outra. Ainda assim, a gente insistia em acreditar que a Magia seria eterna nas quadras.

Afinal de contas, quem poderia imaginar o Basquete sem Paula? Como ficariam as quadras de todo o mundo (sim, porque Paula já não pertencia só à gente... Até Fidel se rendeu à sua magia!!) sem a sombra morena, precisa, senhora absoluta daquele espaço delimitado?

E como ficaria a bola, sem as mãos da Mágica para conduzi-la????

Pois é... Ficam órfãs! Todos nós ficamos um pouco órfãos desde ontem, quando Paula anunciou o fim de sua carreira nas quadras. E ainda que ela nos prometa continuar trabalhando com o esporte, continuar atuando junto aos bastidores do Basquete, as quadras já não serão o mesmo mundo.

Outros tantos talentos haverão de surgir por aí. Muitos já até afloram, desfilam pelas quadras. Mas nenhum, certamente, será tão exuberante, tão completo como o de Paula.

Ninguém poderá se assenhorar da magia novamente. Só ela conseguiu.

Agora, o Basquete está duplamente órfão. As irmãs Gonçalves da Silva estão fora das quadras. E o que a gente pode fazer? Como reviver a magia?

Sinceramente, não sei. Estou meio que engasgada... Alguma coisa acaba de se quebrar no encantamento que o Basquete sempre teve sobre mim. Não há mais a Grande Senhora em quadra. Nem há como reviver isso, a não ser na memória ou em vídeo. Agora, isso tudo é História, é lembrança que o tempo não apaga, é tesouro que ninguém me tira: tive o privilégio de ver a maior jogadora de Basquete de todos os tempos em quadra. Pude acompanhar sua trajetória, seus sofrimentos com contusões, suas vitórias, suas derrotas, suas dores e seu infindável caso de amor com a bola e a quadra.

Pude ver Paula jogar. Pude ver a Magia desfilar talento e emoção com uma classe que jamais será igualada. Pude ver o talento em dose dupla, trançando emoções a quatro mãos, vendo Paula e Branca jogarem.

Pude ver a paixão nos olhos de Paula, quando contemplava a bola, durante o ritual de um aquecimento. Pude ver a cena que marcou esses mais de 20 anos: enrolada na bandeira, em lágrimas, Paula comemorando a classificação para final da Olimpíada de 96...

Puder ver a explosão, misto de êxtase e cansaço, na final do Mundial de 94...

Pude ver a minha própria paixão estampada na cara de espanto a cada ato mágico em quadra. Um passe... um drible... uma roubada de bola... um arremesso longo... uma bandeja fenomenal... O inusitado tirado da cartola do talento, num espaço mínimo de quadra, sob a marcação cerrada da adversária...

É... Agora, isso tudo é História. História e poesia. Poesia e Magia...

Infelizmente, a Magia disse adeus...