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Ufa!
2004 chega ao fim...
Sobrevivemos! Ou seria melhor perguntar, ao invés de afirmar?
Se for, lá vai: sobrevivemos?
Ao que parece, escapamos por pouco - mas temos muita coisa à temer, daqui pra frente...
Temos que temer os desmandos de alguns malucos, especialmente aqueles cowboys ensandecidos, que ganharam mais tempo para brincar de deus e tentar controlar o mundo.
Temos que temer os desatinos de outros malucos, que acreditam que provocar mortes é o caminho mais curto para o paraíso.
Temos que temer as sandices de outros tantos malucos, que acreditam que podem fazer o que desejarem do planeta, sem que a natureza responda - e depois caem em desespero, quando a resposta vem à altura de suas sandices...
Temos que temer as alucinações de outros malucos, que acreditam que podem ditar os rumos da fé, de maneira cega e intransigente - e nem se importam se a fé vai contra a própria vida...
Temos que temer a insensatez de outros tantos, que acreditam que cargo público existe para que seu ocupante se transforme em um nababo, com direito a se locupletar com o fruto do trabalho alheio...
Temos que temer a nossa própria inércia, o nosso desânimo, a nossa pouca vontade em resolver questões dependem da decisão coletiva.
Temos que temer a nossa falta de visão, que nos impede de acreditar que um pouquinho que cada um faça, pode fazer uma imensa diferença lá na frente...
Temos que temer o próprio Homem, a Humanidade e seus desmandos, sua vontade de fazer-se deus e governar o universo, sem ao menos entender como funciona tão delicado equilíbrio.
Temos que temer nossos sonhos, porque eles podem ser ditatoriais e inconseqüentes, com trágicas conseqüências...
É... Temos muito o que temer.
2005 pode ser o ano da virada - aquele famoso ano em que as coisas começarão a mudar pra melhor, em que começaremos a ser mais pacíficos, mais solidários, mais companheiros de nós mesmos e de todas as formas de vida.
Pode, sim...
Basta que a gente não tenha medo de sentir medo diante das conseqüências de nossos atos.
Basta que a gente não tenha medo de sentir piedade e de olhar para si mesmo com olhar crítico e, quando preciso, acusador.
Basta que a gente não tenha medo de admitir erros e que a gente tenha disposição para corrigi-los a tempo de evitar conseqüências mais graves.
Basta que a gente não tenha medo de reconhecer que o orgulho é nosso maior obstáculo e que a paz deveria ser nosso maior objetivo.
Receita para o novo ano?
Pode até ser...
Desde que a gente aprenda que a Vida é para ser vivida e respeitada...
E que alguns erros vão durar quatro anos - mas que, depois disso (ou antes, até...), podem e devem ser corrigidos.
Como alguém já disse um dia, até em música:
Depende de nós!...
Que, em 2005, nossa consciência seja nossa trilha e que nossos atos reflitam o que nos vai no coração.
E que nosso coração nos conduza pelos caminhos da paz, da dignidade, da harmonia, do respeito e da solidariedade!
Feliz 2005 para você!
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