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Você já reparou em quantas substâncias estão à nossa e causam dependência?
Sério! Você já olhou para os lados e se perguntou sobre tudo o que existe e o que pode viciar alguém?
Afinal, tem viciado em tudo e qualquer coisa...
Essa questão das crianças de rua, que adoram cheirar cola de sapateiro, por exemplo. Você, na sua doce inocência, antes de ver uma criança cheirando cola ou de ver o noticiário, imaginaria que a cola que lhe garante a permanência da sola grudada ao sapato é capaz de viciar alguém?
Pois é... Depois dessa pergunta longa e complicada, a gente nem sabe direito o que responder.
O primeiro impulso é o de dizer que sim, que sabia, que evita, etc. e tal. Num segundo momento, vem a dúvida... Num terceiro, a gente se pergunta por que é tão fácil comprar este tipo de substância...
Bom, o Rio de Janeiro já não deixa que essas substâncias sejam vendidas tão facilmente. Veja só:
"A Assembléia Legislativa do Rio aprovou nesta terça-feira, em segunda votação, uma lei que classifica a cola de sapateiro e solventes aromáticos a base de tolueno ou toluol - como o tíner - como substâncias entorpecentes.
"Desta forma, os usuários e revendedores destes produtos serão punidos de acordo com o Código Penal para consumo e comercialização de entorpecentes, em razão dos seus efeitos alucinógenos e de dependência química.
"Para que a lei entre em vigor, resta a sanção da governadora do Estado, Rosinha Matheus (PMDB), ou do governador em exercício, Luiz Paulo Conde, já que Rosinha está de licença médica há dois dias.
"Projeto - O solvente foi incluído por meio de uma emenda no projeto elaborado pelo deputado Paulo Melo (PMDB), que considera a aprovação importante no 'combate ao consumo de drogas e à criminalidade'.
"Para ele, estas substâncias 'atendem muito mais ao crime do que à profissão de sapateiro' já que são 'vendidas indiscriminadamente e, muitas vezes, vão parar nas mãos de crianças nas ruas'." (Folha online)
Agora, paremos para pensar...
Quantos sapateiros você ainda conhece?
Daqueles sapateiros sapateiros mesmo! Com banquinha de madeira, molde sobre a mesa, forjado em ferro e pregado com grandes parafusos, para garantir a firmeza, na hora do trabalho?...
Daqueles com minúsculos pregos e tachinhas apinhados na boca, prontinhos para entrarem na sola e deixarem-na certinha?...
Daqueles com avental de couro ou de um brim bem resistente, manchado de quase todas as cores, mas com a preferência pelo preto e pelo marrom - cores neutras, que garantem longa vida aos sapatos?...
Daqueles que mantém aquelas latinhas de graxa rigorosamente colocadas à mão e ao lado daquela flanela de cor indistinta, sempre pronta para dar o melhor brilho ao couro arrumado?...
Pois é...
Quantos sapateiros será que ainda existem?
E quantos são prejudicados pela venda indiscriminada de cola para quem quer que seja?
Antigamente, alguns jornais compravam cola de sapateiro para fazer o famoso past-up. Diziam que era um meio mais barato de fazer o trabalho de colar as tiras de papel que serviriam de base para a gravação das chapas de impressão...
Pobre dos "pestapistas", que viviam cheirando aquilo... Conheci uma garota que pediu máscara para trabalhar no setor... Não ganhou a máscara, mas ganhou o leite para "combater os efeitos da cola", não se intoxicar.
É!... O tempo voa e os tempos mudam...
Talvez esta lei seja o caminho para tornar as coisas um pouco mais seguras...
Talvez ela sirva para separar o joio do trigo e preservar a velha profissão dos sapateiros...
Espero que o futuro não nos reserve uma surpresa desagradável...
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