Nesse país, tudo pode. Até o imponderável. E, de vez em quando, aquilo que se espera...

"A decisão da CPI do Narcotráfico de indiciar o deputado federal Augusto Farias (PPB-AL), por envolvimento com a quadrilha do empresário foragido William Walder Sozza, de Campinas (SP), revela a extensão das ações do crime organizado no Brasil e antecipa desdobramentos do relatório final da comissão, a ser apresentado nesta sexta-feira. Além de Farias, a CPI pedirá indiciamento de mais 400 suspeitos, entre eles, cinco deputados estaduais de Alagoas.

"O nome de Farias apareceu na CPI no início de 1999 e as suspeitas do envolvimento dele com uma grande quadrilha do crime organizado que agiria em, pelo menos, oito Estados brasileiros, foram mantidos em sigilo por vários meses. O primeiro a falar de Farias foi o ex-motorista de quadrilhas de roubo de cargas Jorge Méres, que se transformaria numa das principais testemunhas da CPI.

"Méres disse, num dos depoimentos secretos, que participara de reunião da cúpula da quadrilha, na qual foi decidida a morte do delegado Stênio Mendonça, assassinado em 1997, no Maranhão, quando investigava roubos de carga no Estado. Méres disse que os ex-deputados federal Hildebrando Pascoal (AC) e estadual José Gerardo de Abreu (MA), estavam na reunião da qual participaram ainda Farias e Sozza.

"Entre agosto e outubro de 1999, os depoimentos de Gilmar Leite Siqueira e de José João Soares, mais conhecido como ‘Jota’, também presos por integrarem quadrilhas de roubo de cargas e tráfico de armas, voltariam a ligar o esquema de Sozza com o do crime organizado em Alagoas, Maranhão, Acre e Mato Grosso. Eles confirmaram a participação de Sozza e dos deputados na morte de Mendonça.

"Afirmações de Méres foram comparadas com as das duas novas testemunhas. Os três montavam um painel que se completava. Sozza era, segundo eles, o chefe da ramificação da quadrilha em Campinas. A conexão seria responsável por ‘esquentar’ carretas e cargas que haviam sido roubadas no Norte e Nordeste do País. O empresário também comandaria a distribuição de produtos do roubo e do narcotráfico no eixo Rio-São Paulo.

"O envolvimento de Farias seria denunciado novamente durante as investigações da morte do juiz Leopoldino Amaral, do Mato Grosso, assassinado depois de ter acusado colegas de participação no esquema do narcotráfico. Uma das testemunhas, Barros Palmeira, afirmou que recebera por quatro vezes em sua casa, ‘como conterrâneo e amigo’, o juiz Daniel Accioly, que havia sido acusado de envolvimento com o crime organizado. A testemunha disse que, numa destas visitas, Accioly estava acompanhado por Rogério Farias, irmão de Augusto Farias. A mulher de Rogério Farias seria ainda proprietária de uma fazenda usada pela quadrilha para recebimento de drogas e armas.

"Durante os depoimentos, Augusto Farias negou todas as acusações. ‘Mas a CPI obteve muitas provas de que ele mentiu’, afirma o presidente da comissão, Magno Malta (PTB-ES). Várias fazendas e empresas que Augusto Farias dizia desconhecer, segundo o deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), foram descobertas mais tarde em investigações da CPI.

"A descoberta de uma destas empresas, a Tigre Serviços de Segurança, foi exemplar. A partir de informações de um informante secreto, a CPI decidiu realizar diligências na empresa, sediada em Maceió. Durante as investigações, os deputados descobriram que a empresa pertencia a um dos seguranças indiciados no processo que apura a morte do irmão de Augusto Farias, Paulo César Farias, o PC, ex-tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor de Mello. ‘Mas toda a movimentação financeira da Tigre era feita por Augusto. O segurança era apenas laranja do deputado’, lembra Mattos. A empresa é investigada, entre outras coisas, por tráfico de armas. De acordo com Mattos, há ‘excesso de provas’ sobre envolvimento de Augusto Farias com ‘grandes esquemas do crime organizado’ no Brasil." (Agência Estado)

Pois é... Falando nisso tudo, alguém sabe me dizer em que resultou o novo inquérito sobre a morte de PC Farias? O que foi feito de Badan Palhares? E a tal "Operação Uruguai"? E Luís Estevão? E o juiz Laulau?

Ah! Perguntar não ofende...