|
Todo mundo sabe que dinastia é algo que se aplica à realeza, aos impérios.
Mas há algo diferente, que se equivale à realeza, mas acontece na democracia. É a dinastia política.
E não há exemplo melhor de dinastia política que os Kennedy, nos Estados Unidos.
Bonitões, sexys, elegantes, bem articulados, os irmãos Kennedy chegaram onde poucas famílias imaginam chegar. Talvez os Gandhi, na Índia, mas aquele clã incluía as mulheres, como seu ponto forte.
Os Kennedy, ao contrário, conseguiram alçar seus três filhos ao Poder.
Junto a isso, alçaram, também, suas tragédias pessoais e familiares.
Expuseram ao mundo sua ganância, sua sexualidade forte, sua competência política e sua vocação para mortes trágicas.
Começando por Joe, o irmão morto na II Guerra Mundial e favorito de todos, passando por JFK - que se tornaria a mais completa incógnita norte-americana - e Bob - que se transformou meio que em vilão, com sua passagem pelo Ministério da Justiça -, até desaguar em Ted, que se foi agora.
JFK é um ícone da guerra fria, o homem que forçou todas as barras para colocar o homem na lua, que fez uma tentativa frustrada de invadir Cuba e legou Lyndon Johnson, o homem do Vietnã, ao mundo.
Bob Kennedy fortaleceu organismos como FBI e CIA e os usou a seu favor. O pai de oito filhos não tão santo quanto se imaginava e tentou sair da sombra de galã do irmão mais famoso (John), especialmente quando o assunto era Marilyn Monroe...
Ted foi diferente. Mas também foi igual.
O acidente de carro, em que morreu sua secretária, é até hoje algo não muito bem explicado.
No entanto, foi o mais longevo dos irmãos políticos.
Carregou o nome do clã com dignidade, até transformar-se num dos mais influentes políticos norte-americanos e, consequentemente, do mundo.
Era tido, nos últimos tempos, como um democrata ferrenho e exemplar, comedido, mediador de primeira linha, enfim, um político de bom senso.
Agora, Ted se foi - não vencido por uma bala, mas vencido por um câncer.
Embora em níveis diferentes, sua morte também foi trágica, pois o mal ceifou justamente seu bem maior: seu cérebro, sua sagacidade, sua inteligência.
Sem John-John, o filho de JFK que morreu num desastre de avião, e com Caroline distante da vida pública, o clã parece destinado a uma sucessão menor, em termos de expressão política, já que, em tamanho físico, é maior.
De quem estou falando?
De Arnold Schwarzenegger, o governador republicano da Califórnia, amigo de Walker (o cowboy ensandecido, que também atende por George W. Bush), austríaco de nascimento e que, por isso, não pode chegar à presidência dos E.U.A.
Arnold é casado com uma Kennedy e parece ser o último da família (ainda que postiço) a querer carregar o peso da dinastia política mais famosa das Américas.
Triste fim para um clã tão glamouroso...
|
|