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Será que tem, por aí, alguém que seja capaz de me explicar por que Tarso Genro resolveu mexer na Lei de Anistia?
Trinta anos depois da sua promulgação, a lei que trouxe exilados de volta é questionada no reverso de sua moeda: a não punição aos agentes do Estado que atuaram como torturadores.
Ora... Se, na época, todos aceitaram engolir a impunidade dos torturadores, em troca do direito de ter de volta aqueles que foram torturados e banidos, perseguidos e forçados a fugir, por que mexer nesse vespeiro agora?
Por que mexer naquilo que está quieto?
Ainda mais em véspera de ano eleitoral?
Posar de justiceiro agora, três décadas depois, é algo que beira a insanidade.
E sabe por que?
Porque é mexer em vespeiro dormente, é despertar rancores que não estão sepultados, é reavivar feridas que jamais cicatrizarão.
Tudo isso é sabido. As dores não passaram, apenas diminuiram.
Os ódios não foram banidos, apenas temporariamente saciados.
Então, por que jogar combustível em fogueira que arde em fogo lento, cujas brasas nunca se apagaram de fato?
A última coisa de que se precisa, agora, é uma suposta revisão de nossa própria consciência.
Ainda mais quando os grandes "expoentes" da época já se foram, entre eles o maior dos torturades: o delegado Sérgio Paranhos Fleury.
Tudo isso vai desaguar em alguns nomes que hoje dão sustentação ao governo de saint Lullinha, como o próprio senador Romeu Tuma, que serviu fielmente o governo golpista, como delegado de carreira...
Em que pese a raiva contida e a sede de justiça para os sanguinários que se locupletaram com a ditadura, é preciso discernimento.
Se a anistia existiu para trazer de volta militantes de todos os matizes, também serviu para dar salvaguardas para aqueles que serviram fielmente o governo militar.
Se toda moeda tem duas faces, por que mirar em apenas uma????
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