Domingão, 6h30...

Pode acreditar!!!

Quase madrugada, o dia nem amanhaceu direito e eu já estou aqui!...

Incrível?

Não quando se tem dois peludos famintos e carentes por perto...

Depois de uma semana de "quase ausência", meus peludos estão retomando o ritmo normal. E com o friozinho que tem feito nas madrugadas, hoje acordaram famintos e resolveram que eu não poderia ficar na cama.

Se há um problema urgente, ela que acorde!!!

E o problema urgente, óbvio, era socorrer-lhes o estômago vazio, em dia de baixa temperatura. O prato de ração vazio significa ter de esperar o sono ir embora para ganhar comida...

Nada disso!

A solução é simples: enquanto uma sobe na cama e se prepara lavar-me o rosto, o outro simplesmente "deposita" seu cabeção sobre meu peito, de forma a incomodar meu tranqüilo sono e forçar-me a levantar...

Conseguiram!

E enquanto os dois matam a fome, resolvi olhar os jornais.

Afinal, andei meio que desligada do mundo e preciso me "re-atualizar".

Mas parece que não perdi muita coisa, nos dias em que estive "meio ausente".

Lendo os jornais na web, encontrei um artigo que me surpreendeu pela clareza, pelo estilo limpo e direto - algo que é bastante difícil de ser encontrado nos tempos atuais.

Até parece que escrever um bom artigo é algo que não precisa ser feito...

Mas estava lá, no site da Folha de São Paulo:


"RAYMUNDO COSTA - especial para a Folha Online, de Brasília


"O governo fechou a semana convencido de que é preferível ser acusado de alguma falta de transparência a correr o risco político de demitir os presidentes do Banco do Brasil, Cássio Casseb, e - muito menos - do Banco Central, Henrique Meirelles. Mas essa é uma história cujo final ainda está sendo escrito.

"O Planalto se deu por satisfeito com as explicações dadas por Meirelles ao fato de não haver declarado Imposto de Renda no país em 2002, por tê-lo feito ao fisco americano, e ao mesmo tempo haver declarado domicílio eleitoral em Goiás para disputar as eleições.

"Meirelles diz que cumpriu a legislação.

"Casseb, por seu turno, é inocentado no Planalto pela trapalhada em que diretores petistas meteram o Banco do Brasil ao comprar 70 ingressos para um show sertanejo destinado a arrecadar fundos para a nova sede do PT.

"O problema de Casseb é a suposta conta no exterior que ele não teria declarado ao fisco brasileiro, mesma acusação que custou a cabeça do ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Augusto Candiota.

"Em breve declaração feita na sexta-feira, Casseb disse que declarou todas as suas contas ao fisco - falta ainda mostrá-las.

"O governo está dividido em duas alas. Uma delas, tendo o ministro Antonio Palocci à frente, acha que Casseb deve ficar mesmo que não mostre as declarações. Seria o preço a pagar para evitar o desencadeamento de uma crise de consequências imprevisíveis nos mercados.

"Mas há também a chamada corrente legalista, para a qual o governo não deve usar um peso e duas medidas, ou seja, o que valeu para Candiota deve valer também para o presidente do Banco do Brasil.

"Emparedado, o Planalto tende a achar que é vítima de uma campanha orquestrada, que as denúncias são um ato de desespero da oposição porque a economia apresenta sinais de recuperação.

"Há uma verdadeira paranóia em torno das fontes das denúncias. Mas há também a aceitação de que, se o galho balançar mais, alguém vai cair - daí a apreensão do Planalto, na sexta-feira passada, com o que reservava o noticiário do fim de semana, especialmente sobre Meirelles. Resta saber quem.

"Palocci joga todas as suas fichas na manutenção de Meirelles e Casseb, muito embora, segundo avaliação de analistas de risco político, a queda de Casseb não teria maiores reflexos no mercado. Até mesmo a saída de Meirelles seria assimilável, pois o grande fiador da atual política econômica é o ministro da Fazenda e não o presidente do Banco Central.

"No caso específico do patrocínio do Banco do Brasil ao show do PT pode até sobrar para a peãozada: na Fazenda e no Planalto há unanimidade na atribuição da culpa a dois diretores petistas do banco, Henrique Pizzolato, encarregado da área de marketing, e Ivan Guimarães, presidente do Banco Popular.

"Os dois trabalharam na arrecadação de fundos para a campanha de Lula. O mais cotado para a degola é Pizzolato. Mesmo no PT há constrangimento com o episódio, embora não seja unânime.

"Assim como no governo, há correntes do partido que não vêem nada demais com o patrocínio. Argumentam que se trata de uma prática habitual do BB com seus clientes e que o barulho todo deve-se ao fato de o show destinar-se a arrecadar fundos para o PT.

"A eventual queda de Pizzolato ou de Guimarães teria ainda uma vantagem adicional: Casseb nunca escondeu sua insatisfação por ter de nomear 'companheiros' para a diretoria do BB." (Folha online)

Em pleno domingo, quase madrugada, encontrar um artigo desses é realmente um alento...

Ao que parece temos ainda cabeças pensantes (e das boas) soltas por aí.

Pena que nem todas estejam em órbita do Palácio do Planalto...

Bom domingo pra você!


Ah! Se você não entendeu o título lá em cima, eu explico.

O título deste artigo de Raymundo Costa é "Se o galho balançar mais, alguém vai ter de cair".

E se você tiver 40 anos ou mais, ou for daquelas pessoas que são boas de pesquisa, certamente vai se lembrar de uma música que fez sucesso com o atual ministro da Cultura, Gilberto Gil.

Ela dizia assim:

"Chô-chuá, cada macaco no seu galho

"Chô-chuá, eu não canso de falar

"Chô-chuá, o meu galho é Bahia

"Chô-chuá, o seu é outro lugar"...