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É engraçado como o Tempo gosta de brincar com as pessoas.
Algumas são impiedosamente castigadas. Enrugam-se, esfiapam-se, desmancham-se sob a ação do tempo.
Outras, parecem envelhecer com galhardia, sucumbindo aos poucos, vergando-se com demora.
E outras, ainda, parecem simplesmente melhorar com o tempo. Envelhecem como se simplesmente amadurecessem.
E outras, também, parecem travar uma batalha sem fim com o Tempo.
Uma hora estão vergadas, parecendo chegar ao fim, parecendo mais que desgastadas. Em outros momentos, ressurgem fascinantes, vívidas, completas, maduras, uma jóia lapidada.
E a gente, simples mortais, fica pensando em como será que o Tempo vai agir conosco. Como será que reagiremos à ação sua inexorável.
Quer um exemplo de alguém que "vai e vem", sob a ação do tempo?
Gal Costa.
Em alguns momentos, ela surge toda matrona, gorda, irreconhecível. Até mesmo a voz parece estar corroída pela passagem dos anos.
Em outros, surge límpida, garbosa, imponente. A voz cristalina pode não ter o mesmo alcance, o fôlego pode não ser o mesmo, mas está lá, inteira, capaz de nuances especiais e fascinantes.
Como explicar tais mistérios?
Estava vendo a entrega do Prêmio Caras de MPB, que a teve como patrona. Ela foi a grande homenageada e mostrou porque mereceu ser a primeira escolhida.
Sua voz estava lá, praticamente inteira, apenas levemente arranhada pelo Tempo. Se as formas esculturais já não existem como nos tempos de plena juventude, a sensualidade ainda brilha. Os requebros e trejeitos remetiam a memória aos tempos, por exemplo, de "Índia".
Tudo estava lá...
Brilho raro... Afinal, Gal é brilho raro. Voz rara.
Que bom poder revê-la em tão boa forma.
Deu pra matar saudades...
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