Certas coisas parecem acontecer só para confirmar velhos ditados, não acha?

Estava aqui, pensando com meus botões sobre os últimos acontecimentos envolvendo a Rússia.

Você já reparou que a degradação do grande urso vermelho parece não ter fim?

Pois é... Tico e Teco (meus dois neurônios neuróticos) vasculharam minha memória e só fizeram confirmar essa minha teoria. A coisa toda começou no início do século, quando Lênin e seus seguidores fizeram a Revolução. Até aí, tudo bem. Afinal, rever velhos hábitos é sempre necessário. Mas quando isso é feito com violência desmedida e desnecessária, não há quem segure a volta, o revide.

Mataram o Czar e toda a família com requintes de crueldade. A mesma crueldade que marcou governos de décadas, como o de Stalin e o de Brejnev. Poucas vezes se viu tanta opressão, em nome de uma teoria que, enquanto teoria, é belíssima, merece respeito e tentar ser implantada como imaginada.

Aí veio Korbatchov com a sua Perestroika. Eu, que era do Partido Comunista, concordei com Mikhail. Tanto que saí do partido, em busca de ares mais amenos, mais democráticos. Até que surgiu Yeltsyn.

Foi quando pensei, pela primeira vez, que a derrocada era inevitável. Não bastaria o sumiço, o esfacelamento da URSS (você se lembra dessa sigla? Significava União das Repúblicas Socialistas Soviéticas...). Pior: a "mãe Rússia" estava de quatro, nas mãos de um homem reconhecidamente incapaz de governar, refém que é do álcool.

Saiu Yeltsyn e entrou Vladimir Putin. Aí, fiquei pensei que retrocesso é algo muito palpável, quase que inevitável, principalmente para Democracias recém nascidas... Um homem que saiu da temida KGB, que gosta de posar de herói, que (a exemplo de Yeltsyn) acha que demonstração de força, de poderio bélico, é o caminho mais curto para firmar-se no poder.

Depois, veio o Kursk... 118 mortos... E a ridicularização do tal poderio bélico... A guerra fria, que Putin tentava esquentar, amornou e amargou... Agora, a torre de TV.

540 metros de imponência, que representariam o poderio soviético, personificariam a "grande mãe Rússia"... Ardeu em chamas e agora ameaça ruir...

Putin tenta posar de humilde, assume a culpa que realmente tem... E a torre arde. E o Kursk naufraga...

Pobre "mãe Rússia"... Acho que ela nunca esperou gerar filhos tão prepotentes e tão saguinários... E do sangue derramado ao longo do século, a vingança explode na ridicularização de seus governantes...

É! À terra o que é da terra, ao mar o que é do mar, à Rússia o que é da Rússia. E a Putin, o vexame... Até parece maldição do czar assassinado...