Quem diria!... Do berço de uma das mais sangrentas ditaduras da América Latina, surge o mais evidente sinal de Democracia...

Acredite quem quiser: a Justiça chilena quebrou a imunidade parlamentar do senador vitalício Augusto Pinochet. É! Aquele mesmo que a Espanha tentou extraditar, para julgar por crimes contra a Humanidade!

Aquele mesmo que, com o golpe de Estado, matou Salvador Allende e, oficialmente, fez desaparecer nada menos que 3000 pessoas. Oficialmente, é bom que se frise bem. Extra-oficialmente, não se sabe ao certo quantas pessoas foram vitimadas por regime de Pinochet.

Ontem, confirmou-se a vontade da maioria dos chilenos. Pinochet perdeu a imunidade, embora não tenha perdido o cargo de senador vitalício. E o resultado é incontestável: foram 14 votos pela quebra da imunidade, contra 6 a favor de sua manutenção.

É um resultado que o mundo inteiro deve comemorar!

Afinal, não é todo dia que a gente pode ver um ditador ser conduzido ao banco dos réus pelo próprio país que banhou de sangue.

Na verdade, na esmagadora maioria das vezes, eles safam-se tranquilamente para o exílio em terras distantes (de preferência bem mais sofisticadas e ricas que os países que abandonam) ou conseguem sair pela tangente da morte.

Pinochet não vai ter essas regalias. Ele até que tentou, com a pataquada da doença quase terminal, ostentada em Londres para depois ser sumariamente despachada, tão logo ele se levantou da cadeira de rodas para abraçar outros amigos de "armas", no aeroporto de Santiago.

É!... Pinochet pode ser um ditador diferente, no final de sua história...

E esse final, pode ser uma boa notícia para a Humanidade. Uma notícia com cheiro, cara e jeito de Justiça. O que sempre é uma boa nova - especialmente às vésperas do novo milênio, onde (a gente espera...) a Justiça será a tônica.