Quem diria!... Hoje faz 45 anos que morreu Carmen miranda...

Acho que nós - eu e você - só a conhecemos por livros, por especiais na TV, por velhos filmes e velhos discos. No entanto, acho que você vai concordar comigo num ponto: ela era verdadeiramente fantástica.

Pequenina, charmosa e com muito, muito talento...

Se a gente for parar para pensar, Carmen revolucionou seu tempo, revolucionando a música. Aquele jeito meio que brejeiro, meio que sensual, uma mistura explosiva de olhos, gestos e uma voz gostosa de se ouvir, uma dicção extraordinária, uma afinação invejável.

Era ou não era uma receita com tudo para dar certo????

Mas, como toda grande receita, ela foi consumida...

Fico pensando na imagem que tenho de Carmen Miranda e, para mim, é inevitável uma associação com Marilyn Monroe.

Ambas eram pequenas, do tipo mignon, mas extremamente sensuais. Ambas eram extremamente carismáticas, encantavam homens e mulheres. Ambas brilharam nas telas. Ambas conquistaram a América e, depois dela, o mundo.

Ambas se renderam às pílulas...

Ambas foram infelizes no amor...

Estranho a gente dizer isso: duas mulheres fantásticas, infelizes no amor...

E, no entanto, foi o amor a grande tragédia da vida de cada uma delas. E essas tragédias levaram às pílulas. E as pílulas levaram à morte...

Mas... De que adianta a gente ficar pensando em comparações, tentar adivinhar como seria a vida de cada uma delas, se as pílulas não tivessem existido, se o amor tivesse chegado, se seus parceiros tivessem sido mais compreensivos e carinhosos, se não tivessem sido exploradas pelos grandes estúdios de cinema das décadas de 40 e 50...

É... De que adianta tudo isso agora?

Só vai servir para reforçar um sentimento de perda que se tornou nosso por herança... E para aumentar uma certeza: elas fazem falta e deixaram uma herança de carisma e talento.

Cada uma a seu modo, mas uma herança que o tempo não apaga...

Nem a sombra de Marilyn, nem o encanto de Carmen.